Tempos de Mudança
Noites frias, dias quentes
Areias secas sem fim
Atravessei o deserto, para então aqui chegar.
Areias secas sem fim
Atravessei o deserto, para então aqui chegar.
Cheguei seco,
extravasado, minha sede tinha morto.
Descansei,
estava cansado...
Passou algum
tempo...
Minha boca
não está seca, mas a sede continua...
E a magia se
perdeu...
Outras sedes,
que secam, outras bocas, que não minha.
Essa água que
não bebes, também a mim me dá sede.
Voltamos a
passar, perto, frios e distantes, em universos diferentes,
Como se a
água não fossemos, à mesma fonte beber,
Não nos
separa o medo, mas a estranha vontade de não querer.
Como apátridas,
da nação humana, na vontade de não querer,
Sem bandeira,
guião ou estandarte, e da mente, o colectivo abolido,
Como se o
mundo, fosse o individuo, e o destino a sorte.
A indiferença
dos donos, que da água querem ser…
Se veraneiam,
chafurdando como sapos, na água que não deveriam ter
É preciso
reverter, a água que é de todos, tua água deve ser.
Há muita
gente com sede, sem água para beber, e dessa sede, tua sede.
Minha sede
deve ser...
César Salgueiro



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