Vida
Quando fiz o primeiro risco
Chorava como um menino perdido
Num mundo sem fé, sem amor, sem esperança
Como se tudo o que me rodeasse fosse de um mundo, que não
meu
Nem o banco aonde me sentava, e a mesa aonde estendia a
folha
Que comecei a riscar.
Inicialmente eram lagrimas, que saiam na ponta de um lápis
Como gritos de uma dor profunda da qual desconhecia a origem
Na medida que os riscos (lágrimas) escorriam pelo papel,
O mundo parecia que se ia transformando,
Cada vez era mais leve essa mágoa, era cada vez mais eu.
Aquele lápis era o meu terapeuta, os riscos a terapia
Iam saindo, parecia ouvir dizer para continuar, e ao
fazê-lo, me sentia melhor
Aqueles riscos secavam o meu sangrento, e aliviavam a
minha dor
Não sei de onde vinha, essa força, mas era profunda e duradoira
Comecei a sentir-me livre, sem essa dor que antes me feria,
Algo novo estava a acontecer comigo, parecia ter nascido de
novo
Toda a magoa que eu transportava de muitos anos, estava no
papel
A dor já tinha passado, parei, fixei-me naquilo que tinha
feito
Era como se um milagre tivesse acontecido, na minha vida
Recomecei a acreditar, em coisas que eu já tinha esquecido.
E sorri.
Olhei para cima e agradeci, dizendo:
E sorri.
Olhei para cima e agradeci, dizendo:
- Isto foste tu que fizeste
E não eu...
Obrigado…
César Salgueiro



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